TRAJETÓRIAS, ETNICIDADE E MOBILIDADE

UMA HISTÓRIA SOCIAL DA E/IMIGRAÇÃO POLONESA NO RIO GRANDE DO SUL ATRAVÉS DOS PROCESSOS DE HABILITAÇÃO DE CASAMENTO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.20556367

Palavras-chave:

História Social, E/Imigração Polonesa, Processos de Habilitação de Casamento

Resumo

Este artigo analisa as dinâmicas sociais da e/imigração polonesa no Rio Grande do Sul entre o final do Império e a Primeira República, tomando como fonte primária um corpus de 273 processos de habilitação de casamento do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), com recorte nas colônias Antônio Prado, Alfredo Chaves e Guarani. Partindo de uma perspectiva da História Social, o estudo argumenta que a experiência desse grupo foi marcada por uma dualidade: a manutenção da coesão étnica, atestada pela endogamia nas primeiras gerações, conviveu com uma notável adaptabilidade social. Esta se manifestou através de casamentos interétnicos (principalmente com italianos) e por uma significativa mobilidade geográfica e social, frequentemente induzida pela política de colonização mista do governo castilhista-borgista. A análise dos registros permitiu delinear o perfil dos imigrantes — majoritariamente camponeses iletrados —, mapear suas redes sociais e trajetórias, e identificar estratégias familiares de assentamento. Conclui-se que os processos de habilitação de casamento são fontes heurísticas valiosas para compreender a construção da "polonidade" no sul do Brasil, revelando a heterogeneidade do grupo, suas estratégias de sobrevivência e os complexos processos de etnogênese em um contexto de colonização plural.

Biografia do Autor

  • Rosane Marcia Neumann, PPGH/FURG; APERS

    Doutora em História (PUCRS). Professora Visitante do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande (PPGH/FURG). Analista Pesquisador - História no Departamento Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS/SPGGRS).

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Publicado

2026-06-05